3 de abr de 2017

O Que é a Psicografia? Entenda...


A psicografia é a técnica utilizada pelos médiuns para que estes escrevam um texto sob a influência de um espírito desencarnado, utilizando para isso sua própria mão, o que deu origem à "psicografia direta" ou "psicografia manual". De todas as formas de comunicação, a escrita manual é a mais simples e a mais completa porque permite estabelecer relações permanentes e regulares com os espíritos.

Quando alguém escreve um texto psicografado a mente consciente busca as ideias no inconsciente, portanto, se está consciente o tempo inteiro. 


Existem quatro tipos de médiuns psicógrafos:

Mecânico: se caracteriza pelo fato de movimentar a mão, escrevendo sob a influência direta do espírito, com uma impulsão completamente independente da sua vontade, que avança sem interrupção enquanto o espírito tiver alguma coisa a dizer. O médium fica totalmente passivo. No Brasil, destaca-se o trabalho de Francisco Cândido Xavier, em Uberaba, MG.

Intuitivo: o médium intuitivo age como um intérprete para transmitir o pensamento do espírito; por isso, precisa compreendê-lo, a fim de traduzi-lo fielmente. Esse pensamento, não é dele, mas passa através do seu cérebro. É exatamente esse o papel do médium intuitivo.

Semi-mecânico: o médium sente a mão impulsionada, sem que esta seja sua vontade, mas ao mesmo tempo tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. O pensamento aparece antes ou após da escrita. Também pode ocorrer ao mesmo tempo. Estes médiuns são os mais numerosos.

Inspirado: é o tipo de médium que recebe mensagens em estado de êxtase, comunicações mentais estranhas às suas ideias e o que os caracteriza é, sobretudo a espontaneidade e o caráter rico de informações como uma sinfonia, um livro, sem que seja músico ou escritor.


Quem pode ser médium psicógrafo?

Não há nenhum meio de diagnosticarmos a faculdade mediúnica a não ser através do treino. A melhor maneira de sabermos se uma pessoa tem ou não capacidade para escrever sob a influência dos espíritos é submetê-la à experiência.

Antes, porém, de iniciarmos alguém no exercício da psicografia ou de qualquer outra mediunidade, convém que o médium estude a doutrina espírita e as noções fundamentais acerca do que é o espiritismo.

Para dar início ao trabalho de psicografia basta que se tome um lápis e se coloque na posição de escrever e que seja desenvolvido com tranquilidade. Essas atividades mediúnicas devem ter uma regularidade, pois de outro modo não haverá o processo de aprendizado.


O codificador Allan Kardec atentou a algumas recomendações para quem está iniciando:

- A prece de abertura deve ser feita em nome de Deus e dos bons espíritos desta forma: "Rogo a Deus todo poderoso permitir a um bom espírito vir a comunicar-se transmitindo seus pensamentos. Rogo também a meu anjo guardião que me assista e que afastem de mim os espíritos mal intencionados". Você saberá a hora de terminar. Deite o lápis e agradeça a Deus por esta oportunidade de comunicação.

- A ponta do lápis deve manter-se apoiada no papel, sem oferecer resistência aos movimentos; não tenha nada em sua mão (anel, pulseira etc., que ofereça obstáculo ao seu movimento). Para a escrita mediúnica é indiferente que se use caneta ou lápis.

- O treinamento deve ser realizado diariamente. (Se não for possível, uma ou duas vezes na semana.)

Em algum momento, um espírito deve se manifestar. Nos médiuns intuitivos, surgem ideias que devem ser passadas para o papel com facilidade. Nos semimecânicos, observa-se alguns pequenos movimentos involuntários da mão acompanhados ou não das ideias a serem transcritas. Com o tempo, aparecerão escritos mais consistentes que poderão ser analisados de acordo com o bom senso. Há casos em que o espírito desenha rabiscos sem sentido ou escrevem palavras sem qualquer significado, porém, tais coisas costumam cessar com o desenvolvimento progressivo da faculdade.

Inicialmente, formule perguntas ao espírito; elas devem ser feitas de forma simples para que ele possa respondê-las com um “sim” ou “não”. É importante que as perguntas sejam objetivas. Com o tempo, as respostas serão mais completas. Porém, sugere-se que esta prática seja feita depois de certo tempo de treino, com cautela para que não seja uma porta aberta aos espíritos brincalhões. (Nada de perguntas: vou voltar com meu namorado? Ou: conseguirei pagar minhas dívidas?)

A reunião mediúnica de psicografia deverá ter o recolhimento necessário, atendendo todas as normas para o exercício. O desenvolvimento em grupo é muito mais rápido do que o individual. Isso acontece porque a corrente magnética formada pelo grupo oferece aos espíritos comunicantes uma grande variedade de elementos, apropriados ao sucesso do intento. Geralmente entre 10 pessoas, três conseguem um resultado satisfatório.

O texto é escrito como uma espécie de redação sobre um assunto que o espírito julga útil. O conteúdo dos trabalhos deverá ser examinado e revisado mais tarde por uma pessoa que estuda o espiritismo.

A ortografia deverá ser corrigida, de modo que fique inteligível, cuidando-se, no entanto, para que não sejam modificados os pensamentos do espírito.

É necessário entender que na primeira fase dos exercícios, os espíritos comunicantes são de uma ordem menos elevada. Portanto, não se deve pedir a eles que dêem qualquer tipo de informação que não esteja ao seu alcance. Todo espírito que nas comunicações de iniciantes se apresente com nome venerado é de origem suspeita. O capítulo XVII de O Livro dos Médiuns deverá ser estudado minuciosamente para se evitar o domínio dos maus espíritos nas sessões de iniciação.

Também é importante observar que apenas 30% dos médiuns são psicógrafos. Os espíritos levarão em conta a boa disposição do médium em servir, aliada à sua condição de moralidade, dedicação, sinceridade, humildade, altruísmo e acima de tudo amor ao trabalho de Jesus. Aliado a isso, o médium, se possível, deve ter uma vida regrada na disciplina, evitando consumir em excesso bebidas alcoólicas, alimentar-se de modo saudável, ter uma vida sexual de acordo com a moral vigente da sociedade em que vive e evitar usar um vocabulário com palavras chulas.


Observações de Kardec

1) O médium tem consciência do que escreve e, a princípio, é levado naturalmente a duvidar da sua faculdade pois não sabe se a escrita é dele ou do espírito que se comunica. Mas deve prosseguir com seus escritos e, com o tempo, ganhará confiança e sua mediunidade triunfará.

2) Nas primeiras sessões, quando o médium hesitar frente a um pensamento, deverá escrevê-lo. Há situações em que é desnecessário saber se o pensamento é do médium ou do espírito. Desde que produza boas obras, que é o que importa, deve sempre agradecer para que lhe surja outras ideias.

3) É aconselhável que o médium não abuse da sua mediunidade (até 2 horas por dia). Que use disciplina no seu trabalho e que seja sustentado pela ação no serviço ao próximo, pelo estudo, pela meditação e por preces constantes. A psicografia, assim como outras formas de prática mediúnica, deve ser utilizada somente em momentos oportunos e nunca por simples curiosidade ou interesse particular. O entusiasmo que toma conta de alguns novatos pode levá-los a ficar sob a influência de espíritos mistificadores.

4) É conveniente que o médium ou a equipe de médiuns tenham dias e horários específicos para realizar seus trabalhos mediúnicos. Isso facilitará aos espíritos as melhores disposições para as manifestações.


5) As mensagens destinadas ao grupo ou que sejam de interesse geral devem ser divulgadas para que os ensinamentos dos espíritos tornem-se conhecidos. Os bons espíritos costumam se afastar dos médiuns que não revelam as lições por eles transmitidas e os deixam entregues a entidades mistificadoras.

Um comentário:

  1. Muito bom estudar, assim poder entender o mundo espiritual. ..Sempre buscando a oração como a melhor orientação.

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