Pesquisa

30 de set de 2015

O Jogo de Búzios









O Jogo de Búzios também chamado IFÁ ou, ainda, Merindilogún [Jogo dos Dezesseis], o oráculo que desvenda as brumas do invisível e do futuro, é um dos aspectos mais herméticos do Candomblé: uma porta fechada para leigos e, aqui, não se pode omitir o fato de que é uma relevante fonte de renda para os terreiros afinal, terreiros assim como o Vaticano também têm contas a pagar o quê lembra a famosa frase da atriz Cacilda Becker em resposta aos que lhe pediam para entrar de graça no teatro: "Não me peça para dar a única coisa que eu tenho para vender" ... meditemos...

Iniciação no Candomblé











No Candomblé, a Iniciação, que corresponde a uma espécie de batismo, segundo os preceitos ortodoxos, é demorada e exige uma forte disposição para o desapego em relação aos afazeres e prazeres mundanos. Segundo alguns autores, nos centros de culto menos rígidos, é possível fazer uma iniciação resumida em 21 dias mas, na verdade, isso é um equívoco: na verdade, os 21 dias são apenas uma fase inicial destinada a uma espécie purificação; no ritual tradicional, o correto e verdadeiro procedimento iniciático, demanda seis meses de reclusão no Terreiro. Sobre aquela suposta Iniciação "compactada"  de quse um mês, escreve J.R.R. Abrahão:

Candomblé; Origem e Liturgia










Candomblé é uma palavra derivada da língua bantu: ca[ka]=uso, costume, ndomb=negro, preto e lé=lugar, casa, terreiro e/ou pequeno atabaque. A reunião dos três vocábulos resulta em "lugar de costume dos negros", por extensão, lugar de tradições negras, tradições entre as quais, destacam-se, no sentido atual as práticas religiosas que incluem a música percussiva [A TARDE, 1980]. Outra interpretação informa que kandombele significa "adorar" [Ngunz'tala, 2006].

Hoje reconhecido como religião, no passado, o Candomblé teve seus dias de marginalidade. No período do Estado Novo, por exemplo, entre 1937 e 1945, foi proibido por lei, seus adeptos perseguidos e presos pela polícia. Quando se fala em Candomblé um dos aspectos mais destacados é o sincretismo entre religiosidade africana e catolicismo. Todavia, em geral, a tal religiosidade africana é vista como algo monolítico, homogêneo.

28 de set de 2015

Crença pós morte e funeral na Umbanda











Em novembro, temos tradicionalmente o Dia de Finados (ou Dia dos Mortos), data que tem todo um significado religioso para os cristãos. Porém, devido ao sincretismo presente na Umbanda, esta data também nos têm grande importância: é quando louvamos a força do Divino Orixá Omulu, Senhor da Morte e das transições no Universo.

O que é a Humildade?








O que é a humildade? Trata-se de um sentimento e um comportamento que, como o entendemos hoje, foi desconhecido dos antigos, mas que, com o cristianismo, fez-se regra de boa conduta no Ocidente.

A origem da palavra é latina. Humus tem a ver com a terra, e dá origem a homo (daí “humanidade”), que é o homem, ou seja, aquele que veio da terra, e também origina a humildade, a característica daquele que vive na terra, que tem os pés na terra – ou seja, que não é do mar ou do ar ou das árvores. O que tem os pés no chão e não se eleva e, assim, se mantém em sua origem de ser o que é, é, portanto, o humilde. Humilhar-se perante o divino, assim, na tradição antiga, é manter-se como um ser da terra ou, também, mostrar-se como aquilo que se é.



O Mistério das Energias Básicas











Nosso planeta é formado por muitos tipos de compostos energéticos:

  • Aquáticos: água doce, salgada, mineral etc.
  • Minerais: minérios, metais, silicatos etc.
  • Ígneos: magma, carvões mineral e vegetal etc. 
  • Telúricos: areia, saibro, terra etc. 
  • Vegetais: madeira, folhagens, gramíneas etc. 
  • Eólicos: ar, gases etc. 
  • Cristalinos: pedras, gemas, cristais etc. 


Enfim, nosso planeta é energia condensada em estado de repouso, mas que também energiza o meio ambiente, tornando-o próprio para a vida como a conhecemos. 

Mas esse nosso planeta não se resume só à sua dimensão material, porque temos uma contraparte espiritual, onde tudo o que existe obedece a outro padrão vibratório, ainda que tudo seja sustentado pelo mesmo tipo de magnetismo do plano material. Se a dimensão humana tem sua base no plano material, cujo amálgama energético é gerador de uma energia classificada como sétupla, existem outras dimensões onde a base é formada de energias puras, energias estas que estão na origem do nosso “mundo” material. 

Nós já comentamos sobre as sete dimensões básicas e não vamos nos repetir aqui. Apenas vamos mostrar onde as energias delas atuam na vida e evolução dos seres humanos, que estão espalhados nesse composto energético que os hindus chamam de “prana”, outros chamam de éter, energia vital, etc. 

Sim, este nosso “prana” é um amálgama energético formado de muitos tipos de energias. E, ainda que na origem de tudo só exista uma energia viva que denominamos de divina, dependendo do padrão vibratório por onde Deus a emana, então vão surgindo energias puras, já passíveis de classificação como fatores, ou energias fatorais. 

Nós temos sete energias básicas formando nosso composto sétuplo, as quais já comentamos diversas vezes. Vamos aqui mostrar onde elas atuam em nossa vida: 


1ª - Energia Básica Cristalina: esta energia é fundamental às operações no campo religioso e é a energia básica da Fé. Ela alimenta nossos sentimentos religiosos e sustenta nossa evolução nesse sentido da Vida. 

2ª - Energia Básica Mineral: esta energia é fundamental às operações no campo do amor. Ela alimenta nossos sentimentos fraternais e sustenta nossas concepções, servindo-nos com seu magnetismo agregador. 

3ª - Energia Básica Vegetal: esta energia é fundamental às operações mentais no campo do raciocínio. Sua expansividade serve para alimentar nosso raciocínio e aguçar nossa percepção, dando leveza e agilidade à nossa mente. O intelecto absorve esta energia, pois é ela que o alimenta. 

4ª - Energia Básica Ígnea: esta energia é fundamental ao equilíbrio mental no campo da razão. A absorção dela é vital para que alcancemos um ponto de equilíbrio em todos os sentidos da Vida. Assim como cada substância tem seu ponto de equilíbrio, medido em graus Celsius ou Fahrenheit, nós também temos esse ponto. E dependendo da absorção dessa energia ígnea, tanto podemos acelerar quanto paralisar nosso racional, deixando de usar a razão e recorrer à emoção ou aos instintos. 

5ª - Energia Básica Eólica: esta energia é fundamental ao arejamento mental e ao equilíbrio emocional. Se absorvemos muito, tornamo-nos emotivos e “aéreos”, mas se absorvemos pouco, tornamo-nos densos e “bitolados”. Ela areja nossa mente, direciona nossa evolução e fortalece nossos sentimentos virtuosos. 

6ª - Energia Básica Telúrica: esta energia é fundamental para a estabilidade do ser. Se absorvemos muito, nos “petrificamos”, tornando-nos conservadores, ou dogmáticos; se absorvemos pouco, aí nos desestabilizamos e nos tornamos muito liberais ou libertinos. 

7ª - Energia Básica Aquática: esta energia é fundamental à criatividade do ser, se absorvida na quantidade certa. Se absorvemos pouco, deixamos de ser criativos; se absorvemos demais, nos tornaremos devaneadores. 


Aí têm uma descrição sucinta das sete energias que formam o composto energético sétuplo que todas as pessoas absorvem aqui no plano material, energias estas que estão diluídas no “prana”, o qual é absorvido pelos nossos chakras e é internalizada e armazenada nos órgãos energéticos dos sentidos, os quais são usados em nossas operações mentais relativas aos sete sentidos da Vida, que são estes:


Sentido da Fé ou religiosidade
Sentido do Amor ou concepção 
Sentido do Conhecimento ou raciocínio 
Sentido da Justiça ou razão 
Sentido da Lei ou ordenação 
Sentido da Evolução ou saber 
Sentido da Geração ou criatividade 


Esses sentidos estão relacionados com os Tronos de Deus, que são manifestadores divinos dessa qualidade d’Ele. 

Portanto, quando se sentirem fragilizados em algum desses sentidos, é recomendado que oferendem aos Sagrados Orixás relacionados a ele e clamem pela sua atuação direta e ostensiva, pois assim logo será alcançado um reequilíbrio energético. 

Este reequilíbrio é condição básica para a elevação do ser e para a aceleração da evolução espiritual. 


Por: Rubens Saraceni

27 de set de 2015

26 e 27/09 dia de Cosme e Damião (Ibejis)











Nos dias 26 (para os católicos) e 27 de setembro (para o Candomblé e a Umbanda), comemora-se o Dia de Cosme e Damião. Eles eram dois irmãos gêmeos que eram médicos e viveram na Ásia Menor.

25 de set de 2015

Linhas de Umbanda Sagrada














Umbanda é uma religião puramente brasileira e tem sigo ramificada sob vários aspectos. Existe a umbanda astrológica, filosófica, analógica, numerológica, oculta, aberta, popular, iniciática, branca, esotérica, cabalística, sincrética…mineral, o cristal…

Umbanda em Tempos Líquidos




A sociedade contemporânea atrai-se facilmente por espetáculos sem que seja necessário que tais peças espetaculares tenham em si um sentido, um motivo. Vivemos a era do entretenimento.

24 de set de 2015

Quartinhas de Umbanda












A Umbanda tem sua ritualística própria e dentro das suas peculiaridades está o ritual das Quartinhas. Ao chegar num Terreiro é muito comum avistar na entrada, sobre o piso ou sobre o portal da entrada, uma QUARTINHA, que significa que o espaço é Sagrado e tem a faculdade de mostrar à primeira vista que se trata de um local de ritual religioso. 

A Complexidade de Oxumaré













Oxumaré é um Orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de existirem muitas confusões a respeito dele, principalmente nos sincretismos e nos cultos mais afastados do Candomblé tradicional africano como a Umbanda. A confusão começa a partir do próprio nome, já que parte dele também é igual ao nome do Orixá feminino Oxum, a senhora da água doce. 

22 de set de 2015

Formação do Povo Brasileiro



Uma só palavra ou teoria não seria capaz de abarcar todos os processos e experiências históricas que marcaram a formação do povo brasileiro. Marcados pelas contradições do conflito e da convivência, constituímos uma nação com traços singulares que ainda se mostram vivos no cotidiano dos vários tipos de “brasileiros” que reconhecemos nesse território de dimensões continentais.

Formas de Preconceito na Sociedade

Preconceito é um juízo pré concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória, perante pessoas, crenças, sentimentos e tendências de comportamento.

É uma ideia formada antecipadamente e que não tem fundamento sério. O preconceito pode acontecer de uma forma banal, até um pensamento, por exemplo: que feio, que gorda, que magro, como é burro este negrão. Há um sentimento de impotência quando se pretende mudar alguém com forte preconceito. 

O preconceito é resultado das frustrações das pessoas que podem até se transformar em raiva ou hostilidade. Muitas vezes pessoas que são exploradas, oprimidas, “mal amadas” não podem manifestar sua raiva com o opressor, então deslocam sua hostilidade para outros que consideram inferiores resultando aí a discriminação e o preconceito. O preconceito pode ser fruto de uma personalidade intolerante, porque são geralmente autoritários e acreditam nas normas do respeito máximo à tradição, e são hostis com aqueles que desafiam as regras estabelecidas. 

Existem diferentes manifestações e tipos de preconceito, sendo as suas formas mais comuns o preconceito social, racial (racismo) e sexual (sexismo ou homofobia). Nas características comuns a grupos, atitudes preconceituosas são aquelas que partem para o campo da agressividade ou da discriminação. 

O preconceito faz parte do domínio da crença por tem uma base irracional, não do conhecimento que é fundamentado no argumento ou no raciocínio. 

Existe também o preconceito linguístico, que consiste numa discriminação sem fundamento contra variedades linguísticas. Esse preconceito é também um preconceito social, e tem como alvo pessoas que falam de forma diferente devido a algum motivo histórico. Marcos Bagno, professor, linguista e escritor brasileiro escreveu a respeito do preconceito linguístico, descontraindo oito mitos relacionados com a cultura brasileira e com a língua falada no Brasil. 

Também é possível identificar o preconceito religioso, onde um indivíduo é discriminado pela sua prática religiosa. Por exemplo: Num aeroporto, muitas pessoas ficam nervosas se vêem alguém e assumem que esse indivíduo é muçulmano, pois partem do princípio que todos os muçulmanos são extremistas/bombistas. Algumas pessoas também são discriminadas dependendo do local onde nasceram. 

No Brasil, por exemplo, muitos nordestinos são discriminados por causa do preconceito que está arraigado na sociedade.


Fonte. brasilescola.com

21 de set de 2015

Arquétipos, Mitos e Símbolos










Muitos termos empregados livremente pelo senso comum possuem uma origem acadêmica, ou seja, são conceitos desenvolvidos dentro de disciplinas formais a partir de uma perspectiva “científica”. Por essa mesma razão, esses conceitos possuem delimitações muito claras quanto ao seu emprego e significado. Alguns dos conceitos psicológicos mais utilizados vulgarmente são os de Arquétipo, Símbolo e Mito. Símbolo e Mito são conceitos empregados em várias disciplinas acadêmicas como Antropologia, Filosofia, História, Sociologia, etc.

Misticismo, Alquimia e Ciência











Kepler, um dos criadores da astronomia, fazia horóscopos nas horas vagas. Newton, fundador da física moderna, escreveu tratados de alquimia. Ao nascer, a ciência estava impregnada de misticismo e magia e, no entanto, revolucionou o modo de entendermos o mundo.

Hoje é comum pensar que a ciência nasceu pronta, na tranqüilidade de uma universidade, em algum momento do século 16. Mas a verdade é bem diferente: a ciência não apenas surgiu fora das escolas como esteve quase sempre em confronto com elas. Não foi o resultado de uma sacada genial, mas uma obra coletiva, confusa, incerta e demorada. No longo período de gestação do método científico, entre 1500 e 1700, magos e cientistas andaram juntos em sentido contrário da Igreja e das universidades, cujas idéias dominavam as sociedades daquela época.

20 de set de 2015

A Filosofia e a Umbanda


Por: Fernando Ribeiro (Pirro D'Obá)


A CULTURA OCIDENTAL como a conhecemos, em sua formatação, tem suas bases mais sensíveis emolduradas sob o pensamento e a Filosofia Grega antes de Cristo. 
Os filósofos gregos foram os primeiros seres humanos a não ocupar status de sábios, mas sim de homens a procura incessante pelo saber. Se antes deles os Sábios eram anciãos que procuravam através de lendas estruturar os ritos morais das sociedades a quais faziam parte; com os filósofos gregos começamos a nos interessar pelas classificações da natureza (Seja humana ou do meio ambiente).

O que é Magia Divina?!


















Magia (não é mágica = ilusão), antigamente rotulada de "Grande Ciência Sagrada" pelos Magos, é uma ciência oculta que estuda os segredos da natureza e a sua relação com o homem, criando assim um conjunto de teorias e práticas que visam ao desenvolvimento integral das faculdades internas espirituais e ocultas do Homem, até que este tenha o domínio total sobre si mesmo e sobre a natureza.

19 de set de 2015

Casa de Lei não é pra Brincar


[...Não confunda nunca a tirania de uma ignorância e a falta de bom senso com aquilo que chamamos em nossa religião de "A Justiça de Xangô"; pois nada é mais cruel e opressor do que uma vontade ardilosa e uma ideia deturpada (de um ser humano desarmonizado) tentando se travestir de "verdade"...

Evolução na Umbanda

Por: Fernando Ribeiro (Pirro D'Obá)

Uma das maiores preocupações dos sacerdotes umbandistas hoje em dia é tentar mostrar para aquele novo médium que chega ao terreiro que a mediunidade e o processo de incorporação não são prioridades dentro da religião.

18 de set de 2015

Guias e Colares na Umbanda


Quem nunca viu um crucifixo no pescoço de um Padre? Um índio com seu colar? Reis com seus colares e pulseiras e coroas? Acredito que todos nós já vimos, né?

Desde de os tempos remotos, esses objetos não serviam somente como adornos mas também como proteção . Todos os viam como objetos magísticos, perfeitos amuletos e, por vezes, indicavam o grau de hierarquia dentro de um clã ou de uma tribo .

Na nossa Umbanda querida as nossas guias são colares coloridos que são utilizados nos trabalhos, fazendo parte do fundamento de todo Umbandista.

Umbanda, Lugar de Gente Forte!


A Umbanda foi no Brasil uma das maiores religiões nas décadas de 1960 e 70 depois do Catolicismo. Baseada nas doutrinas e ensinamentos de Zelio Fernandino de Moraes, se estabeleceu nos costumes e na cultura brasileira de maneira prática e poética numa época em que artistas tinham orgulho de cantá-la na TV e nas rádios. 

Sobre Ignorância e o Saber


Incorporação não é Possessão














Na grande maioria das religiões, o fenômeno que chamamos de “incorporação” não é algo desejado e, assim, quando alguém entra em transe, geralmente, é algo contra a sua vontade. Por este fato, se usa o termo possessão e se afirma que tal pessoa está possuída. A própria palavra implica em algo que está sendo tomado à força, uma agressão. Assim é, por exemplo, no catolicismo, em que quando alguém é possuído ou tomado, logo isso é reconhecido como uma possessão demoníaca e o caminho mais indicado é fazer um exorcismo. 

Paz e Amor


A Religião e sua Importância

A Religião é psicossocialmente falando, um ponto importante de apoio ao homem no que diz respeito ao preenchimento de espaços vazios, que por vezes prejudica o desenvolvimento social, humano e psicológico, levando a raça humana a caminhos que são diferentes do ponto de vista do crescimento espiritual. 

Como a religião é o “religar” do homem a alguma crença, na qual ele (o ser humano) deposita e garante a sua fé e confiança, se caracteriza como “o preenchimento da lacuna” que separa o homem de Deus, e é esta religação que traz os aspectos de transformação e conversão total, que conceitua a religião num patamar muito acima de qualquer área ou ciência humana.

O caráter da religião e sua participação exclusiva ao homem garantem que o “agir religioso”, seu fenômeno e sua importância são em suma, algo que merece nossa atenção e visão clara, sem preconceitos ou intolerâncias, apenas observando seu papel sempre vital ao homem e suas realizações positivas, o que a religião pode ser colocada como o ponto diferencial desta dualidade. 

Por: Anderson M. Carvalho

Sete Lágrimas de um Preto-Velho

Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste PRETO-VELHO chorava.

De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as… Foram sete. 

Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei.

Fala, meu PRETO-VELHO, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor? 

E ele, suavemente respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.

A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber… 

A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus próprios merecimentos negam. 

A terceira, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a UMBANDA, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante. 

A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão. 

A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na UMBANDA, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo. 

A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente. 

A sétima, filho notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos Médiuns vaidosos, que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de amparo material e espiritual. 

Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO-VELHO...


A Origem dos Patuás

Em algum momento ouvimos a expressão: “Quem não pode com mandinga, não carrega patuá”... Mas o que seria "mandinga"? O que seria "patuá"??

... Os Mandingas eram grupos de africanos do norte que, que pela proximidade com os árabes acabaram se tornando muçulmanos, religiosos que tem muitas restrições aos que não aceitam Alá como Deus ou Maomé como o seu profeta. 

Com o crescimento do tráfico de escravos, vários negros Mandingas vieram parar no continente americano, vítimas da ambição dos brancos. Muitos desses escravos sabiam ler e escrever em árabe.

Esse estado superior de cultura fez com que fossem rotulados como feiticeiros, passando a expressão "mandinga” remeter a atos de magia e feitiço.

Por outro lado, os negros e descendentes vindos do continente africano que praticavam o culto aos Orixás eram vistos como infiéis pelos negros muçulmanos. Os senhores brancos, aproveitando-se dessa espécie de rivalidade e confiando aos mandingas funções superiores em relação as atribuídas aos demais, fazia a animosidade entre eles crescer ainda mais em terras brasileiras.

Os mandingas não eram obrigados pelos senhores brancos a comer restos de carne de porco (tipo de comida servida aos escravos comuns, e que viria posteriormente ser chamada de “feijoada”), e até mesmo permitiam que eles usassem trechos do Alcorão guardados em pequenos invólucros de pele de animais pendurados ao pescoço.

Constantemente eram os negros mandingas que acabavam ocupando o lugar de caçadores de escravos fugitivos, recebendo a denominação de “Capitães do Mato”.

Quando um escravo pretendia fugir da senzala, além de se preparar para lutar sem armas através da capoeira e do maculelê, passava a usar o cabelo encarapinhado e pendurava ao pescoço um “patuá”, de modo que pensassem se tratar de um negro Mandinga, para não ser perseguido. Entretanto, se um verdadeiro Mandinga o abordasse e o escravo não soubesse responder em Árabe, o verdadeiro “Capitão do Mato” descarregaria toda a sua violência nesse infeliz negro fugitivo. 

Assim nasceu a expressão “Quem não pode com mandinga não carrega patuá”. A vingança a quem se atrevesse a portar um falso objeto sagrado pelo muçulmano era algo muito terrível. 

Com o passar do tempo o hábito de utilizar patuás entre os negros foi se generalizando, pois eles acreditavam que o poder dos mandingas era devido, em grande parte, aos poderes do patuá. 

Por outro lado, os padres também utilizavam, e ainda utilizam, crucifixos e medalhas, agnus dei, etc., que depois de benzidos, a maioria das pessoas acredita ter o poder de trazer proteção aos devotos nelas representados. 

Na verdade, o uso de tal tipo de talismã perde-se na longa noite do tempo e confunde-se com a própria história do gênero humano. 

Nos primeiros candomblés da Bahia era comum o pedido de patuás por parte dos simpatizantes e até mesmo por aqueles que temiam o culto afro, pois se dizia que o patuá poderia até mesmo neutralizar trabalhos de magia negra. 


Mas afinal, o que é um patuá? 

O patuá se apresenta como objeto consagrado que traz em si o “axé”, a força mágica do Orixá, do santo católico ou guia de luz, a quem ele é consagrado nas mais variáveis vertentes de matrizes afro no Brasil. 

Entre os católicos já era hábito utilizar um objeto ou fragmento que houvesse pertencido a um santo ou a um papa, até mesmo fragmentos de ossos de um mártir ou lascas de uma suposta cruz que teria sido a da crucificação de Jesus. Até mesmo terra, que era trazida pelos cruzados que voltavam da Terra Santa e que a utilizavam nesses relicários, considerados poderosos amuletos, e que deveriam atrair bons fluidos e proteger dos infortúnios. Estes eram chamados de relicários. 

O nome relicário é originário do latim: “relicare” = “religar”, que acabou formando a palavra “relíquia”. 

Logo o clero percebeu que não poderia impedir o uso dos patuás pelos negros, que os tiravam antes de entrar na igreja, mas voltavam a usá-los ao afastar-se dela. Decidiram, então, substituir os patuás africanos, que traziam trechos do Alcorão, por outros tipos que traziam orações católicas, medalhas sagradas, etc. 

Com a formação dos primeiros templos de Umbanda e a possibilidade de um contato mais direto com diversas entidades espirituais, as pessoas que buscavam proteção começaram a encontrar nesses objetos sagrados um apoio (era algo material que continha a força mágica vibratória sempre consigo). 

A partir de então, as entidades passaram a orientar sua elaboração, indicando quais objetos seriam incluídos na confecção do patuá e como se deveria proceder com eles para que recebessem o seu axé, ou seja, a força mágica. 

Na verdade, a procura do patuá ou talismã é feita principalmente por quem se sente muitas vezes “inseguro” e consequentemente necessitado de maior proteção. 

Os componentes mais utilizados para a confecção dos patuás em vertentes são os seguintes: figas de guiné, cavalos marinhos, olho de lobo, estrelas de Salomão, estrelas da guia, cruz de caravaca, couro de lobo, pêlo de lobo, Santo Antonio de Guiné, imagens de Exu e Pomba-Gira, pontos diversos, pimentas, orações, sementes variadas, imãs, dentes de cavalo, etc. 

Vale a pena uma pesquisa profunda sobre seus mais variados símbolos e significados diversos.

17 de set de 2015

Saravá


O Mito

“...O mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares. O mito conta uma história sagrada, relata um acontecimento que teve lugar no tempo primordial, o tempo fabuloso dos começos. O mito conta graças aos feitos dos seres sobrenaturais, uma realidade que passou a existir, quer seja uma realidade total, o Cosmos, quer apenas um fragmento, uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, é sempre portanto uma narração de uma criação, descreve-se como uma coisa foi produzida, como começou a existir...”



(Mircea Eliade)

Experiências Religiosas



Existe muita discussão entre membros de diferentes religiões. "A minha é melhor que a sua, a minha é mais profunda, etc, etc". Necessário compreender que existe diferença entre Religião e Religiosidade.

O Sábio






















Claude Lévi Strauss (1908-2009) foi um grande antropólogo, etnólogo e professor francês. Formado em direito e filosofia na França e produtor de uma vasta obra, Lévi-Strauss foi o criador da antropologia estrutural e um dos maiores pensadores do século XX.

Entre suas maiores obras está "Pensamento Selvagem", livro claramente contrário à idéia de superioridade e privilégio da civilização ocidental,enfatiza que a mente selvagem e tribal é igual à mente civilizada. 

Seus estudos sobre as comunidades não-civilizadas, baseados no campo da linguagem e da linguística, possibilitaram novas perspectivas também para a psicologia, ajudando a entender como a mente humana trabalha constantemente "organizando o conhecimento em processos binários e opostos que se organizam de acordo com a lógica" e "tanto o mito como a ciência estão estruturados por pares de opostos relacionados logicamente".

Compartilhando, portanto, a mesma estrutura, só que aplicada a diferentes coisas..

Umbanda é Liberdade

A Umbanda não discrimina por gênero, raça, etnia ou opção sexual. 

Ao contrário dos homossexuais católicos, os homossexuais da Umbanda não encontram preconceito algum. Um líder de Terreiro Umbandista pode ser tanto masculino quanto feminino. O prestígio do líder depende dos seus poderes mediúnicos e do tipo de conselho dado às pessoas que procuram por sua orientação.

É uma religião que caracteriza-se pela prática da caridade independente das diferenças de classe, credo, etnia.




Sincretismo - Do que se trata?


A palavra sincretismo significa, etimologicamente, "frente unida dos cretenses", simbolizando o acordo que os cidadãos de Creta concretizaram perante as ameaças de um inimigo exterior e a unidade de uma ilha fortemente diferenciada, política e culturalmente, com a absorção de vagas sucessivas de emigrantes. No Renascimento, a palavra passou a significar a fusão entre tendências opostas, principalmente na época das guerras da religião. Já nessa altura, mas sobretudo a partir do século XIX, o conceito assumiu um significado negativo de degenerescência das religiões universais, incapazes de manter o rigorismo dos seus elementos originais e constitutivos. Mais recentemente, a antropologia afro-americana apoderou-se do termo para qualificar o sistema de misturas entre religiões autóctones e religiões universalistas, como o Cristianismo e o Islão, ou seja, a resistência simbólica que religiões expatriadas e subjugadas ofereceram a uma religião dominante.