30 de set de 2015

O Jogo de Búzios









O Jogo de Búzios também chamado IFÁ ou, ainda, Merindilogún [Jogo dos Dezesseis], o oráculo que desvenda as brumas do invisível e do futuro, é um dos aspectos mais herméticos do Candomblé: uma porta fechada para leigos e, aqui, não se pode omitir o fato de que é uma relevante fonte de renda para os terreiros afinal, terreiros assim como o Vaticano também têm contas a pagar o quê lembra a famosa frase da atriz Cacilda Becker em resposta aos que lhe pediam para entrar de graça no teatro: "Não me peça para dar a única coisa que eu tenho para vender" ... meditemos...

O oráculo afro-brasileiro tem mais de uma modalidade: usando um rosário, o Rosário de Ifá ou com as peças [búzios ou sementes soltas. Estudos indicam que ambos os métodos de vidência tem origem na cultura ioruba [Nigéria] e estão relacionados com o mito de Òrúnmìlà´. O SER de Òrúnmìlà é objeto de controvérsias: alguns consideram-no um Orixá, outros afirmam que este SER pertence a "...um plano mítico e simbólico superior ao dos outros orixás" [André D'Òsòòsí]: é a emanação mais transcendente ou superior de Olorum [o Deus Supremo]. O fato é que Òrúnmìlà é o Senhor dos Destinos, o Testemunho de Deus [Elérí Ìpín], o Vice-Deus [Ibìkéjì Olódúmarè], Aquele que Está no Céu e na Terra [Gbàiyégbòrún | PIRES FILHO/ESCADA].

Iniciação no Candomblé











No Candomblé, a Iniciação, que corresponde a uma espécie de batismo, segundo os preceitos ortodoxos, é demorada e exige uma forte disposição para o desapego em relação aos afazeres e prazeres mundanos. Segundo alguns autores, nos centros de culto menos rígidos, é possível fazer uma iniciação resumida em 21 dias mas, na verdade, isso é um equívoco: na verdade, os 21 dias são apenas uma fase inicial destinada a uma espécie purificação; no ritual tradicional, o correto e verdadeiro procedimento iniciático, demanda seis meses de reclusão no Terreiro. Sobre aquela suposta Iniciação "compactada"  de quse um mês, escreve J.R.R. Abrahão:

"A Iniciação... é tipicamente shamânica... com práticas primitivas... raspar os cabelos da cabeça, esfregar folhas em partes do corpo, fazer cortes... [na] cabeça, testa, mãos, pés, língua, braços... passar pós mágicos nos cortes abertos, Kuras, sacrificar animais deixando o sangue escorrer nos chacras... requerendo total submissão do Iniciando Iaô ao Sacerdote ou Sacerdotisa... que guarda os cabelos daquele tendo, assim, meios de impor sua autoridade á força... A Iniciação no Candomblé é lenta... A pessoa terá de se submeter aos ditames do Sacerdote, devendo comer o que lhe é permitido, com algumas restrições por toda a vida, falar quando lhe é permitido, usar roupas nas cores autorizadas, mais uma vez com restrições para o resto da vida... O Sacertote também deverá ditar... quais as atividades sociais e profissionais que o Iniciado poderá exercer dali por diante..."

Candomblé; Origem e Liturgia










Candomblé é uma palavra derivada da língua bantu: ca[ka]=uso, costume, ndomb=negro, preto e lé=lugar, casa, terreiro e/ou pequeno atabaque. A reunião dos três vocábulos resulta em "lugar de costume dos negros", por extensão, lugar de tradições negras, tradições entre as quais, destacam-se, no sentido atual as práticas religiosas que incluem a música percussiva [A TARDE, 1980]. Outra interpretação informa que kandombele significa "adorar" [Ngunz'tala, 2006].

Hoje reconhecido como religião, no passado, o Candomblé teve seus dias de marginalidade. No período do Estado Novo, por exemplo, entre 1937 e 1945, foi proibido por lei, seus adeptos perseguidos e presos pela polícia. Quando se fala em Candomblé um dos aspectos mais destacados é o sincretismo entre religiosidade africana e catolicismo. Todavia, em geral, a tal religiosidade africana é vista como algo monolítico, homogêneo.

28 de set de 2015

Crença pós morte e funeral na Umbanda













Em novembro, temos tradicionalmente o Dia de Finados (ou Dia dos Mortos), data que tem todo um significado religioso para os cristãos. Porém, devido ao sincretismo presente na Umbanda, esta data também nos têm grande importância: é quando louvamos a força do Divino Orixá Omulu, Senhor da Morte e das transições no Universo.

De forma geral, a Umbanda, em sua doutrinação se apega intensamente na vida, ou seja, em como devemos nos comportar enquanto encarnados para então, quando chegar a hora do desencarne, garantir um bom lugar nas esferas espirituais. Hoje, vou comentar sobre a visão de morte e a importância da mesma sendo que cultuamos uma divindade regente deste Sentido da Vida.

O que é a Humildade?








O que é a humildade? Trata-se de um sentimento e um comportamento que, como o entendemos hoje, foi desconhecido dos antigos, mas que, com o cristianismo, fez-se regra de boa conduta no Ocidente.

A origem da palavra é latina. Humus tem a ver com a terra, e dá origem a homo (daí “humanidade”), que é o homem, ou seja, aquele que veio da terra, e também origina a humildade, a característica daquele que vive na terra, que tem os pés na terra – ou seja, que não é do mar ou do ar ou das árvores. O que tem os pés no chão e não se eleva e, assim, se mantém em sua origem de ser o que é, é, portanto, o humilde. Humilhar-se perante o divino, assim, na tradição antiga, é manter-se como um ser da terra ou, também, mostrar-se como aquilo que se é.


O Mistério das Energias Básicas













Nosso planeta é formado por muitos tipos de compostos energéticos:


> Aquáticos: água doce, salgada, mineral etc.
> Minerais: minérios, metais, silicatos etc.
> Ígneos: magma, carvões mineral e vegetal etc.
> Telúricos: areia, saibro, terra etc.
> Vegetais: madeira, folhagens, gramíneas etc.
> Eólicos: ar, gases etc.
> Cristalinos: pedras, gemas, cristais etc.

Enfim, nosso planeta é energia condensada em estado de repouso, mas que também energiza o meio ambiente, tornando-o próprio para a vida como a conhecemos.

27 de set de 2015

26 e 27/09 dia de Cosme e Damião (Ibejis)









Nos dias 26 (para os católicos) e 27 de setembro (para o Candomblé e a Umbanda), comemora-se o Dia de Cosme e Damião. Eles eram dois irmãos gêmeos que eram médicos e viveram na Ásia Menor.

Ficaram conhecidos porque curavam pessoas e animais sem cobrar dinheiro. Morreram por volta do ano 300 d.C. degolados, vítimas de uma perseguição do imperador romano Deocleciano. Na religião católica, o dia 26 de setembro lembra os jovens que pregavam os ensinamentos de Jesus Cristo. Eles são considerados os padroeiros dos farmacêuticos, médicos e das faculdades de medicina.

25 de set de 2015

Linhas de Umbanda Sagrada












Umbanda é uma religião puramente brasileira e tem sigo ramificada sob vários aspectos. Existe a umbanda astrológica, filosófica, analógica, numerológica, oculta, aberta, popular, iniciática, branca, esotérica, cabalística, sincrética…mineral, o cristal…

Independente da classificação, todas têm em sua origem os sagrados orixás que são os senhores regentes da natureza. Sendo assim, os orixás são encontrados nos números e nos astros, no esoterismo, na umbanda branca, na multicolorida (chamada de popular) e no sincretismo com os santos protestantes cristãos.


Os orixás adaptam-se às concepções humanas, moldando-se a elas e auxiliando a todos em suas evoluções. Os orixás são mistérios ou manifestações do Criador através de si mesmo: a natureza. As criaturas, inclusive nós humanos, retiramos tudo o que precisamos da natureza para viver e evoluir. Nela encontramos o ar, o fogo, a terra, a água, o Vegetal, o mineral, o cristal…

Umbanda em Tempos Líquidos




A sociedade contemporânea atrai-se facilmente por espetáculos sem que seja necessário que tais peças espetaculares tenham em si um sentido, um motivo. Vivemos a era do entretenimento.

Um sociólogo muito famoso (Zygmunt Bauman) cunha nossa era como a de "Tempos Líquidos", onde a insegurança dos afetos, dos valores se tornam fenômenos típicos de um tempo no qual a exclusão e a desintegração da solidariedade expõem o homem aos seus temores mais graves. Mostra como as cidades, que originalmente foram construídas para fornecer proteção ao cidadão, se tornaram um ambiente inseguro.

Em meio a tudo isso, onde tudo muda tão rapidamente, nada é feito para durar, para ser “sólido”, sendo assim as relações se tornaram "líquidas". Disso resultaram, entre outras questões, a obsessão pelo corpo ideal, o culto às celebridades, o endividamento geral, a paranóia com segurança e até a instabilidade dos relacionamentos amorosos. É um mundo de incertezas, do cada um por si. Onde nos encontramos cada vez mais aparelhados com iPhones, tablets, notebooks; tudo para disfarçar o antigo medo da solidão. 

O contato via rede social tomou o lugar de boa parte das pessoas, cuja marca principal é a ausência de comprometimento.

As relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de problemas.

Bauman fala também sobre o amor próprio. Afirma que as pessoas precisam se sentir amadas, ouvidas, amparadas ou saber que sentem sua falta. Segundo ele, ser digno de amor é algo que só o outro pode nos classificar, o que fazemos é aceitar essa classificação. Mas com tantas incertezas, relações sem forma, líquidas, na qual o amor nos é negado, como teremos o tal do amor próprio? Os amores e as relações humanas de hoje encontram-se claramente instáveis e assim não temos certeza do que esperar. Relacionar-se é caminhar na neblina sem a certeza de nada.

Nossos ancestrais eram esperançosos: quando falavam de ‘progresso’, se referiam à perspectiva de cada dia ser melhor do que o anterior. Já nós, estamos assustados: ‘progresso’, para nós, significa uma constante ameaça de ser chutado para fora de um carro em aceleração e por isso buscamos quase que insanamente uma adaptação a altura daquilo que a sociedade espera de nós, deixando assim nossos interesses e desejos mais profundos em segundo plano... 

Socialmente falando, a Umbanda caracteriza-se justamente por nos religar aos ancestrais através de ritos e costumes, através dos auxílios caritativos, ofertas de palavras e conselhos confortáveis. Sua perspectiva de caridade acima de todas as coisas contrapõe-se justamente a esfera densa afetiva e moral a qual o mundo vive hoje. O abraço gratuito, o contato visual e o ouvido sempre atento são capazes de religar as pessoas a sensações e recordações há muito tempo esquecidas justamente pela cobrança do mundo de hoje. 

O julgamento errôneo que as outras religiões, o ateísmo e a ciência atribuem a Umbanda aparece justamente como um fenômeno consequente do grau de instabilidade que as pessoas vem enfrentando. Não é fácil. Afinal, todos precisam estar seguros de suas escolhas, e quando escolhem alimentar o ego com as perspectivas do alinhamento utilitário de seus potenciais intelectos para buscar o melhor emprego, os melhores amigos que ofereçam "status", as melhores marcas de roupas e mantimentos, tem-se então automaticamente a invalidação de posturas e afins que contradigam suas escolhas como é o caso da Umbanda, que definitivamente ultrapassou barreiras e tempos muito mais caóticos sem esmorecer por nenhum instante. 

O papel de nossa religião hoje parece cada vez mais o de encaminhar esses potenciais humanos intelectuais inseguros, tendentes ao julgamento ao invés de estudo, materialistas e medrosos (mas que não abrem mão do complexo de superioridade) para um campo vibratório que os reenquadrem em novas linhas de raciocínio, reflexão e criação para campos dos quais talvez nunca tenham adentrado antes em suas vidas; campos de melhor postura valorativa da existência. 

Em tempos líquidos, a Umbanda que tem Fundamento, através de seus exércitos mostra cada vez mais sua importância e sua solidez. Se os tempos estão difíceis, façamos o bem com simplicidade que o bem da complexidade humana virá!!! 

Saravá Umbanda!!!



24 de set de 2015

Quartinhas de Umbanda












A Umbanda tem sua ritualística própria e dentro das suas peculiaridades está o ritual das Quartinhas. Ao chegar num Terreiro é muito comum avistar na entrada, sobre o piso ou sobre o portal da entrada, uma QUARTINHA, que significa que o espaço é Sagrado e tem a faculdade de mostrar à primeira vista que se trata de um local de ritual religioso. 

O termo QUARTINHA se refere a um recipiente de barro, usado para acondicionar líquidos com capacidade de 250 ml a meio litro. É um dos utensílios indispensáveis nos cultos afro brasileiros, sendo usado na maioria dos assentamentos e na obtenção dos AXÉS. 

A Complexidade de Oxumaré













Oxumaré é um Orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de existirem muitas confusões a respeito dele, principalmente nos sincretismos e nos cultos mais afastados do Candomblé tradicional africano como a Umbanda. A confusão começa a partir do próprio nome, já que parte dele também é igual ao nome do Orixá feminino Oxum, a senhora da água doce. 

Oxumaré é uma das diferentes formas e tipos de Oxum, mas na Umbanda e no Candomblé tradicional tal associação é absolutamente rejeitada. São divindades distintas, inclusive quanto aos cultos e a origem. Apesar de muitos Babalorixás não aceitarem, tem seu sincretismo católico como São Bartolomeu.

É representado pelo arco-íris que, segundo algumas lendas é a ponte que possibilita que as águas de Oxum sejam levadas ao castelo no céu de Xangô. Por essa lenda, é atribuído a Oxumaré o poder de regular as chuvas e as secas, já que, enquanto o arco-íris brilha, não pode chover. Ao mesmo tempo, a própria existência do arco-íris é a água está sendo levada para os céus em forma de vapor, onde então se aglutinará em forma de nuvem, passará por nova transformação química recuperando o estado líquido e voltará á terra sob essa forma, recomeçando tudo de novo: a evaporação da água, novas nuvens, novas chuvas, etc.



22 de set de 2015

Formação do Povo Brasileiro












Uma só palavra ou teoria não seria capaz de abarcar todos os processos e experiências históricas que marcaram a formação do povo brasileiro. Marcados pelas contradições do conflito e da convivência, constituímos uma nação com traços singulares que ainda se mostram vivos no cotidiano dos vários tipos de “brasileiros” que reconhecemos nesse território de dimensões continentais.

A primeira marcante mistura aconteceu no momento em que as populações indígenas da região entraram em contato com os colonizadores do Velho Mundo. Em meio ao interesse de exploração e o afastamento dos padrões morais europeus, os portugueses engravidaram várias índias que deram à luz nossa primeira geração de mestiços. Fora da dicotomia imposta entre os “selvagens” (índios) e os “civilizados” (europeus), os mestiços formam um primeiro momento do nosso variado leque de misturas.



Formas de Preconceito na Sociedade












Preconceito é um juízo pré concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória, perante pessoas, crenças, sentimentos e tendências de comportamento.

É uma ideia formada antecipadamente e que não tem fundamento sério. O preconceito pode acontecer de uma forma banal, até um pensamento, por exemplo: que feio, que gorda, que magro, como é burro este negrão. Há um sentimento de impotência quando se pretende mudar alguém com forte preconceito. 

O preconceito é resultado das frustrações das pessoas que podem até se transformar em raiva ou hostilidade. Muitas vezes pessoas que são exploradas, oprimidas, “mal amadas” não podem manifestar sua raiva com o opressor, então deslocam sua hostilidade para outros que consideram inferiores resultando aí a discriminação e o preconceito. O preconceito pode ser fruto de uma personalidade intolerante, porque são geralmente autoritários e acreditam nas normas do respeito máximo à tradição, e são hostis com aqueles que desafiam as regras estabelecidas. 


21 de set de 2015

Arquétipos, Mitos e Símbolos











Muitos termos empregados livremente pelo senso comum possuem uma origem acadêmica, ou seja, são conceitos desenvolvidos dentro de disciplinas formais a partir de uma perspectiva “científica”. Por essa mesma razão, esses conceitos possuem delimitações muito claras quanto ao seu emprego e significado. Alguns dos conceitos psicológicos mais utilizados vulgarmente são os de Arquétipo, Símbolo e Mito. Símbolo e Mito são conceitos empregados em várias disciplinas acadêmicas como Antropologia, Filosofia, História, Sociologia, etc.

Na Psicologia os conceitos de Símbolo e Mito recebem determinações e explicações diferentes em função da abordagem teórica. Mas, em geral, o uso (muitas vezes indevido e deturpado) que se faz desses conceitos no senso comum, deriva das interpretações dadas pela Psicologia. Em particular, essa apropriação pelo senso comum das interpretações psicológicas dos conceitos de Símbolo e Mito, quase sempre remetem à Psicologia Analítica criada pelo psiquiatra suiço Carl Gustav Jung (1875-1961). Isso se dá em especial, pelo fato dos conceitos de Símbolo e Mitoestarem na maioria das vezes associados ao de Arquétipo, esse sim criado pelo próprio Jung. Tais conceitos são tomados como recurso auxiliar de explicação da experiência subjetiva humana nas mais diversas formas, mas poucas vezes atribuem-lhes o sentido original em que foram concebidos por Jung.

Misticismo, Alquimia e Ciência











Kepler, um dos criadores da astronomia, fazia horóscopos nas horas vagas. Newton, fundador da física moderna, escreveu tratados de alquimia. Ao nascer, a ciência estava impregnada de misticismo e magia e, no entanto, revolucionou o modo de entendermos o mundo.

Hoje é comum pensar que a ciência nasceu pronta, na tranqüilidade de uma universidade, em algum momento do século 16. Mas a verdade é bem diferente: a ciência não apenas surgiu fora das escolas como esteve quase sempre em confronto com elas. Não foi o resultado de uma sacada genial, mas uma obra coletiva, confusa, incerta e demorada. No longo período de gestação do método científico, entre 1500 e 1700, magos e cientistas andaram juntos em sentido contrário da Igreja e das universidades, cujas idéias dominavam as sociedades daquela época.

20 de set de 2015

A Filosofia e a Umbanda


Por: Fernando Ribeiro (Pirro D'Obá)


A CULTURA OCIDENTAL como a conhecemos, em sua formatação, tem suas bases mais sensíveis emolduradas sob o pensamento e a Filosofia Grega antes de Cristo. 
Os filósofos gregos foram os primeiros seres humanos a não ocupar status de sábios, mas sim de homens a procura incessante pelo saber. Se antes deles os Sábios eram anciãos que procuravam através de lendas estruturar os ritos morais das sociedades a quais faziam parte; com os filósofos gregos começamos a nos interessar pelas classificações da natureza (Seja humana ou do meio ambiente).

Dessa forma, o movimento filosófico grego fez emergir ao cotidiano a filosofia e o filosofar num teor pragmático de CAUSA e EFEITO perante as questões que circulavam as civilizações antes ALEGORICAMENTE. Se antes, Mitos e Arquétipos serviam de base moral para a convivência entre os cidadãos, depois de Sócrates, Platão, Aristóteles, etc, pudemos vivenciar tempos de quebra nesse tipo de perspectiva de mundo.

Origens da Umbanda













No início do século XV, período da colonização brasileira, mais de quatro milhões de negros africanos cruzaram o Atlântico para tornarem-se escravos na colônia portuguesa. Oriundos de diferentes regiões da África, entravam no país, através de navios negreiros, principalmente pelos portos do Rio de Janeiro, de Salvador, do Recife e de São Luís do Maranhão, trazendo na bagagem a cultura africana.


Para evitar que houvesse rebeliões, os senhores brancos agrupavam os escravos em senzalas, sempre evitando juntar os originários de mesma nação. Por esse motivo, houve uma mistura de povos e costumes, que foram concentrados de forma diferente nos diversos estados do país. Os escravos possuíam suas próprias danças, cantos, santos e festas religiosas. Aos poucos, eles foram misturando os ritos católicos presentes com os elementos dos cultos africanos, na tentativa de resgatar a atmosfera mística da pátria distante.

O que é Magia Divina?!
















Magia (não é mágica = ilusão), antigamente rotulada de "Grande Ciência Sagrada" pelos Magos, é uma ciência oculta que estuda os segredos da natureza e a sua relação com o homem, criando assim um conjunto de teorias e práticas que visam ao desenvolvimento integral das faculdades internas espirituais e ocultas do Homem, até que este tenha o domínio total sobre si mesmo e sobre a natureza.


Toda magia tem características ritualísticas, iniciáticas e cerimoniais que visam estabelecer contato do indivíduo com os aspectos ocultos do Universo e de Deus. A etimologia da palavra Magia, provém da Língua Persa, "magus" ou "magi", significando tanto imagem quanto "um homem sábio". Também existem outros significados como algo que exerce fascínio, como por exemplo quando se fala da "magia do cinema".etc.



19 de set de 2015

Casa de Lei não é pra Brincar



[...Não confunda nunca a tirania de uma ignorância e a falta de bom senso com aquilo que chamamos em nossa religião de "A Justiça de Xangô"; pois nada é mais cruel e opressor do que uma vontade ardilosa e uma ideia deturpada (de um ser humano desarmonizado) tentando se travestir de "verdade"...

Antes de tudo Xangô é estabilidade e linearidade; se uma pessoa instável ou um ambiente movediço (no estilo de terreiros desonestos) que nunca encontram prumo existencial, sempre presos a instintos primitivos e que tentam se apoderar inadvertidamente da figura de Xangô para validar suas loucuras, psicopatias e vontades mais maquiavélicas, ao invés de primarem pelas próprias necessidades de cura que carregam na alma e no intelecto, pode ter certeza que algo encontra-se dissonante com a realidade...

Xangô é sim equilíbrio, é a entidade que ilumina a busca pela verdade e a sensatez diante dos fatos e das situações. Os abusos argumentativos que apelam para a fuga das doutrinas Umbandistas (sem espaço para diálogo e uma apreciação apurada) e tentam dar a conotação de "justiça" a uma postura que não passa de tirania (como se Xangô fosse cego e equilibrasse tudo como se não fosse necessária a participação humana no processo), mostra-se acima de tudo uma violação intelectual e covarde tentando se apoderar de uma coragem simbólica que esse lindo Orixá jamais aprovaria..

Xangô não valida atividades covardes, posturas permissivas e muito menos arbitrariedade de quem afirma ter ele como guardião... Sua coragem, além de nunca se isentar diante de injustiças, é sim capaz de abandonar quem diz praticar a caridade usando seu nome com fins pejorativos, segregadores ou seu simbolismo para fins muito distantes de seu verdadeiro significado e magnetismo...

Xangô é simplesmente justo, não tirano!!!! É apurador e não fugidio... As vezes o que um ser humano desequilibrado julga ingenuamente ser a justiça divina dando crédito a sua incompatibilidade religiosa, ética e moral, pode ser apenas Xangô dando a oportunidade de um novo ciclo se iniciar mais harmonizado, "equilibrado" e distante da tempestuosidade que raramente vislumbra ou vivencia momentos de real cadência e postura doutrinária... 

Infelizmente algumas pessoas e alguns terreiros evocam o nome de Xangô ou julgam que ele estará atuante mesmo sem o devido merecimento de quem diz seu nome em vão... 

Mas antes da justiça (que sadicamente tais pessoas querem acreditar sendo feita quase num tom de vingança que nada combina com a Umbanda), Xangô estará na medida do possível tentando reequilibrar o mental de tais pessoas para que não olhem Xangô como uma energia bélica que atua na vaidade e na guerra entre os seres, mas sim no justo equilíbrio dos potenciais humanos... Que assim Queira Oxalá!...] 

Casa de Lei não é pra brincar!!!



Evolução na Umbanda

Por: Fernando Ribeiro (Pirro D'Obá)

Uma das maiores preocupações dos sacerdotes umbandistas hoje em dia é tentar mostrar para aquele novo médium que chega ao terreiro que a mediunidade e o processo de incorporação não são prioridades dentro da religião.


Existem muitas outras coisas que precisam ser olhadas e vivenciadas.

Ou seja, é muito comum que as pessoas cheguem nos terreiros a princípio como consulentes, sentindo uma vibração gostosa e diferente [.axé.] que as tocam, as emocionam, as inspiram. Porém, o êxtase que essa vibração causa ainda não encontra-se doutrinada e canalizada, por falta dos rituais de iniciação, firmezas, de acesso aos conhecimentos místicos e ocultos que intermediam todo o trabalho [.gira.]; e a falta de tais elementos ritualísticos e teóricos faz com que seja difícil do consulente discernir de maneira ampla as muitas variantes dentro daquilo que ele está experimentando ao pisar no chão umbandista.



A Umbanda acolhe, ela cuida, ela fornece subsídios para que a mediunidade e a sensibilidade dos recém chegados sejam encaminhadas da maneira mais sensata possível dentro dos labirintos da evolução. Assim, os sacerdotes buscam frear nos novos umbandistas o êxtase e a empolgação em troca de sensatez filosófica, evolução espiritual e crescimento humanista.

No passado muitas pessoas entraram na umbanda e logo saíram, justamente por não terem tido a paciência necessária para esperar e entender que antes da incorporação, do atendimento, dos pontos riscados e das outras tantas operações envolvendo processos vibracionais e espirituais ativos, é necessário [.por parte de quem se pretende a praticar a caridade.] um entendimento amplo a respeito do contexto que envolve a religião dentro da sociedade.

Fatores históricos, sociais, teológicos e principalmente psicológicos são necessários para que o recém chegado absorva perspectivas de que a Umbanda é uma visão de mundo que acima de tudo reconhece na natureza a essência capaz de contribuir para elevação espiritual, moral e intelectual frente a existência carnal que levamos.

Muito embora saibamos que nossa religião contribua para nosso crescimento contínuo como ser humano, quando chegamos nela temos pressa, ficamos ansiosos; é normal. O problema é que por querer acelerar o processo, o novo médium de umbanda acaba [.por falta de referências diversificadas.] se apegando a arquétipos de outros irmãos mais antigos de terreiro. Ou seja, o novo médium antes de ter um bom discernimento sobre como se procede as divisões espirituais como “corpos astrais, corpos períspiritos, corpos físicos, funcionalismos dos chacras, entre outros processos”, inicia um comportamento pró ativo que busca nas condutas dos outros irmãos uma maneira de repetir coisas que nem sempre estão em convergência aos seus perfis dentro da corrente.

Cada médium é único, mesmo que os pretos velhos, exus, boiadeiros, baianos, ciganos, erês, marinheiros, ou caboclos de todos se pareçam, não necessariamente terão as mesmas mensagens e os mesmos trejeitos.

No processo evolutivo de quem se propõe a trabalhar no atendimento caritativo, se faz necessário uma entrega maior para com as energias emanadas pelas falanges e entidades do que tentar usar tais energias de maneira simples, já enquadrando uma determinada entidade ao êxtase que se sente numa gira em meio aos cânticos e batucadas das curimbas.

Dessa forma, antes de se curvar como preto velho, porque não senti-lo? Deixar que sua energia se achegue, se condense, se misture, que eleve seu padrão vibratório, que forneça antes de tudo respostas a você e seus dilemas, suas limitações, suas imperfeições. Deixar que a vibração de uma determinada entidade mostre caminhos para alcançar equilíbrio, onde possa meditar e sair realmente do corpo, viajando por locais nunca antes aventurados. Sim!!! Deixar com que os orixás e suas energias lhe transcenda, lhe vincule ainda mais perto dos planos cósmicos e universais, perto de Olorum e todo seu poder criativo... Sim!!!! Antes de se enquadrar uma entidade, porque não se enquadrar primeiro?

É isso que os sacerdotes buscam nos novos filhos. Tomar conta do novo médium para que não atropelem processos, pois ele sabe que cada entidade ao se achegar acaba por utilizar o que de melhor o médium tem e carrega dentro de si. Ou seja, se você estuda, se você vai atrás de informação, se você busca meditar, se procura não carregar rancores e intrigas, sua entidade vai conseguir ao longo do tempo se adequar e passar mensagens e auxiliar quem procura ajuda no terreiro de maneira mais leve, tocando o coração das pessoas.

Quando não seguimos essas diretrizes e acabamos não nos lapidando como deveríamos, as entidades muitas vezes nem aparecem; mas o médium estará tão fascinado com o axé da casa e com as vibrações ali presentes, que acabará por fim achando que está incorporado, quando na verdade poderá estar imitando [.através da inocência e falta de experiência.] os arquétipos de outros irmãos, indicando as mesmas ervas para tratamento, riscando pontos semelhantes, dizendo coisas que já ouviu antes quando ainda era consulente.

É necessário ter paciência. É necessário que saibamos que quanto mais nos elevamos e tentamos parecer em nosso dia a a dia com nossas entidades em seus sentidos espirituais (serenidade, contemplação, reflexão), mais frutos colheremos na evolução dentro da religião de Umbanda. Logo que ao fazer isso não precisaremos estar incorporados para resolver problemas que com a mente elevada e consciente dos atos e das consequências se tornarão mais resolutivos.

Parecer com nossas entidades apenas no momento de transe e alteração do estado de consciência, enquanto que em nosso cotidiano continuamos estagnados, não ajuda nem a nós e nem a quem procura nossa ajuda. Acabamos por prejudicar todos os envolvidos por simples pressa.

Por isso, quando um irmão mais experiente, ou um sacerdote que dirige uma casa chegar para você e dizer que é necessário ler tal livro, ou que é necessário mudar tal hábito, ou que é necessário largar tal vício, ou que é necessário entender que acima da incorporação existem outras prioridades dentro do terreiro, irmão!!!! Leve numa boa!!!! Saiba que isso é um sinal claro de que quem lhe deu esse conselho está realmente preocupado com você. Pois quando alguém não se preocupa e te deixa na mão, não te ajuda, não aconselha, logo você fica perdido repetindo erros básicos que teoricamente com boa fé e força de pensamento podem ser sanados com extrema facilidade.

Se alguém dentro da Umbanda faz questão de te dar a mão, um puxãozinho de orelha, uma sugestão de melhores caminhos a percorrer, tenha certeza que é para o seu bem e para o bem da nossa religião que precisa sempre se lapidar, logo que somos seres em constantes estágios de evolução.

Um conselho de um sacerdote, irmão, colega, amigo, conhecido ou seja lá de quem for, muitas vezes pode ser a forma que Olorum encontrou de mostrar pra ti coisas que sozinho você demoraria anos para entender.

Bora evoluir juntos!!!!! Saravá Umbanda, Saravá nossos irmãos de fé!!! Saravá ao conhecimento de nossas doutrinas!!!!



18 de set de 2015

Guias e Colares na Umbanda


Quem nunca viu um crucifixo no pescoço de um Padre? Um índio com seu colar? Reis com seus colares e pulseiras e coroas? Acredito que todos nós já vimos, né?

Desde de os tempos remotos, esses objetos não serviam somente como adornos mas também como proteção . Todos os viam como objetos magísticos, perfeitos amuletos e, por vezes, indicavam o grau de hierarquia dentro de um clã ou de uma tribo .


Na nossa Umbanda querida as nossas guias são colares coloridos que são utilizados nos trabalhos, fazendo parte do fundamento de todo Umbandista.

Umbanda, Lugar de Gente Forte!


A Umbanda foi no Brasil uma das maiores religiões nas décadas de 1960 e 70 depois do Catolicismo. Baseada nas doutrinas e ensinamentos de Zelio Fernandino de Moraes, se estabeleceu nos costumes e na cultura brasileira de maneira prática e poética numa época em que artistas tinham orgulho de cantá-la na TV e nas rádios. 

Clara Nunes, Gilberto Gil, Vinicius de Moraes, Martinho da Vila, Chico Buarque.. Etc...

A Umbanda, por não ter se tornado intimamente uma religião com escritos a respeito de suas estruturas, mas sim por intermédio de doutrinas orais e arquétipos de suas entidades, teve dificuldades em perceber os riscos de tal expansão social e cultural na sociedade brasileira da época.

Sobre Ignorância e o Saber


Incorporação não é Possessão














Na grande maioria das religiões, o fenômeno que chamamos de “incorporação” não é algo desejado e, assim, quando alguém entra em transe, geralmente, é algo contra a sua vontade. Por este fato, se usa o termo possessão e se afirma que tal pessoa está possuída. A própria palavra implica em algo que está sendo tomado à força, uma agressão. Assim é, por exemplo, no catolicismo, em que quando alguém é possuído ou tomado, logo isso é reconhecido como uma possessão demoníaca e o caminho mais indicado é fazer um exorcismo. 

Paz e Amor


A Religião e sua Importância

























A Religião é psicossocialmente falando, um ponto importante de apoio ao homem no que diz respeito ao preenchimento de espaços vazios, que por vezes prejudica o desenvolvimento social, humano e psicológico, levando a raça humana a caminhos que são diferentes do ponto de vista do crescimento espiritual. 



Como a religião é o “religar” do homem a alguma crença, na qual ele (o ser humano) deposita e garante a sua fé e confiança, se caracteriza como “o preenchimento da lacuna” que separa o homem de Deus, e é esta religação que traz os aspectos de transformação e conversão total, que conceitua a religião num patamar muito acima de qualquer área ou ciência humana.

O caráter da religião e sua participação exclusiva ao homem garantem que o “agir religioso”, seu fenômeno e sua importância são em suma, algo que merece nossa atenção e visão clara, sem preconceitos ou intolerâncias, apenas observando seu papel sempre vital ao homem e suas realizações positivas, o que a religião pode ser colocada como o ponto diferencial desta dualidade.

Por: Anderson M. Carvalho

Sete Lágrimas de um Preto-Velho












Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava.

De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as… Foram sete. 



Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei.
Fala, meu preto-velho, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor?

A Origem dos Patuás


















Em algum momento ouvimos a expressão: “Quem não pode com mandinga, não carrega patuá”... Mas o que seria "mandinga"? O que seria "patuá"??

... Os Mandingas eram grupos de africanos do norte que, que pela proximidade com os árabes acabaram se tornando muçulmanos, religiosos que tem muitas restrições aos que não aceitam Alá como Deus ou Maomé como o seu profeta. 

Com o crescimento do tráfico de escravos, vários negros Mandingas vieram parar no continente americano, vítimas da ambição dos brancos. Muitos desses escravos sabiam ler e escrever em árabe.

Esse estado superior de cultura fez com que fossem rotulados como feiticeiros, passando a expressão "mandinga” remeter a atos de magia e feitiço.